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"Last Night": One-shot natalina para "Deixe a Neve Cair"



Abrir os olhos nunca foi uma ação tão difícil de se fazer numa manhã ensolarada até demais. As olheiras pareciam ter feito um acordo com a ressaca matinal para deixarem minha aparência pior do que todos os outros dias úteis. Ah, e não se pode esquecer da dor de cabeça, que também fez um pacto com o capeta só para infortunar o início daquele novo dia.
Eu não fazia ideia do que tinha acontecido na noite anterior, mas a julgar pelas sete ligações perdidas do meu pai e das 15 de Caroline, eu provavelmente cometi algum crime grave ou só desapareci de casa no meio de algo importante. Encarei a data na tela inicial do telefone. 25 de dezembro de 2014.
Merda, era Natal e eu nem lembrava como havia virado a noite.


Minha primeira reação foi levar as mãos à cabeça, e depois fui ao banheiro. Felizmente, eu estava em casa, o que significa que ao menos eu me lembrei de voltar ao apartamento. Lavei meu rosto na pia e depois enxuguei-o com a toalha. Acabei dando de cara com o que pareciam ser marcas de unha em meu pescoço. Passei minha mão direita por cima delas, e senti que eram reais. Qual é, quem me machucou desse jeito?
Telefonei para Caroline, a fim de tentar esclarecer alguma coisa relacionada à véspera do Natal.
Aleluia, Deus me ouviu e agora você resolveu atender o celular! — Foram seus primeiros gritos. Tive de afastar o celular da minha orelha por alguns segundos.
Feliz Natal para você também, Caroline.
Dane-se o Natal, o que importa é que você ainda está viva. Ela e seus exageros. — Klaus, não precisa mais ligar para a Polícia, ela já atendeu!
Eu vou te matar, Elena! — Ouvi a voz furiosa de Klaus Mikhaelson ao fundo.
Não me diga que está no viva voz, Care. — Respondi.
Eu tinha que fazer isso, querida.
Klaus, já que você está ouvindo… você até pode ser o noivo da minha melhor amiga, mas isso não te dá o direito de matar quem você quiser, tá? Em nome da nossa longa amizade, não tente enfiar uma faca nesse corpo lindo que o mesmo Deus me deu. — Joguei todas as palavras sem pausas.
Você sabe que eu estava brincando, não é? Amo você também, Elena Gilbert.
Devia dizer isso para a loira aí ao seu lado, não para mim.
Deixa, Elena. Já estou acostumada com o amor entre vocês dois… — Ouvi um bipe. — Agora estamos só nós duas no telefonema. Vai, fala.
O que aconteceu comigo ontem à noite? Porque, para ser sincera, eu não lembro de porra nenhuma.
Sabe que nem eu lembro direito?
Sério? — Fiz uma expressão de ironia, mesmo sabendo que ela não poderia ver.
Mentira. Eu não bebi tanto quanto você ontem, então senta que lá vem história.
Sentei-me novamente na cama. Respirei fundo, sabendo que poderia ter feito uma besteira enorme. O tom de voz da Caroline já denunciava isso.
Manda.
Sua mãe ligou para mim depois que você supostamente saiu bufando de raiva da ceia de Natal no fim da noite de ontem. Ela me pediu para te procurar, e eu automaticamente já sabia para onde você poderia ter ido.
Não me diga que…
Sim, você foi para o bar do Elijah.
Porcaria, Care. Eu fiz isso mesmo?
Elena, você sempre afoga seus problemas na bebida, e como o Elijah é o único dono de bar da cidade que não quer te pegar, você costuma ir lá. — Ouvi sua respiração forte. — Eu lembro que cheguei lá e você aparentemente já estava no quarto drinque. Forcei o cara a contar quantas você tinha tomado até o momento.
Fiz alguma besteira?
Alguma, não. Várias. Você estava quase gritando que odiava o Natal justamente por estar perto dos familiares que odeia e é a única época do ano na qual sua mãe não consegue te apoiar em tudo. Eu ainda tentei te levar para casa, mas você fez o maior escândalo para não ir. Vou te contar, nunca vi uma Elena Gilbert tão escandalosa nessa vida.
Tá, e o que houve depois? Porque eu ainda não me lembro de nada disso.
Desisti oficialmente de tirar você dali e convoquei um ser humano especial chamado Klaus para te buscar à força.
Ah, então por isso ele estava todo irritadinho?
Não. Na verdade, foi por causa do que veio depois.
Ai, meu Deus. Comecei a ter um ataque de nervosismo.
Calma, não precisa ficar tão ansiosa. Não foi nada de mais. Quando o Klaus chegou lá, você SÓ não estava mais lá.
Eu O QUÊ? Levantei bruscamente da cama, e acabei tropeçando em meu próprio pé, caindo de cara no chão. O celular foi às ruínas junto, desmontando-se em pedaços. Ah, que ótimo. Vou ter de montar essa droga. De novo. Falei, lembrando-me das vezes em que deixava o telefone cair.
Eu era tão desastrada que nunca havia tido um namoro concreto em 23 anos de vida. Sempre deixava os homens escorrerem pela minha mão como se fosse aquela areia que você pega e logo desliza entre os dedos. Deve ser por isso que o Elijah me considera uma cliente fiel: porque eu nunca vou lá no bar dele para reclamar dos amores da minha vida, pelo simples fato de que eles não existem, nunca existiram e tão pouco existirão. Traduzindo: no ônibus do amor, eu sou aquela que fica presa na catraca.
Meus pensamentos absurdos foram interrompidos por uma batida na porta. Três, na verdade.
Entra. Eu disse.
Bom dia, Elena. O ser humano entrou em meu quarto, sem camisa e com marcas de unha por todo o seu peitoral. Ao menos foi a última coisa que analisei naquele desconhecido, já que dois segundos depois, invoquei a Juliana em mim apenas para desmaiar naquele momento.
Literalmente, eu desmaiei mesmo.

.::.

ACORDA, PORRA! Ouvi aquela mesma voz, vinda daquele mesmo ser humano, invadir meus tímpanos.
Porra digo eu! Gritei de volta, sentando-me na cama de uma forma tão brusca que nem notei que ele estava a poucos centímetros de mim.
Resultado: chocamos nossas cabeças e lá se foram dois comprimidos de Dorflex para aliviar a dor. E só depois disso, é que eu finalmente criei coragem para encará-lo.
Eu… te conheço? Falei.
Ele me encarou por alguns segundos, tempo suficiente para que eu me irritasse de novo, e então disse alguma coisa:
Está de ressaca. É normal não se lembrar de mim. Pôs sua mão direita em minha testa. E com um pouco de febre. Isso sim não é normal.
Você é médico para dizer isso? Ignorei sua preocupação, bancando a sarcástica no momento.
Supondo que eu esteja sobrevivendo ao quarto ano da faculdade de Medicina… é, acho que já posso ser considerado um médico. Deu de ombros.
Posso saber o que um completo desconhecido está fazendo na minha casa, em plena manhã de Natal?
É uma longa história. Quer que eu explique?
Sim, por favor e obrigada! Exibi uma expressão óbvia de curiosidade, e então ele se sentou ao meu lado na cama.
Certo, aqui vai o “possível diálogo que eu tive com aquele ser humano na noite anterior”:
Também irritada com o Natal? O jovem veio até mim, ocupando o banco alto ao meu lado e recebendo um copo de vodca do barman. Aparentemente, ele percebera minha irritação em alto e bom som do quanto eu odeio vermelho, árvores natalinas e tudo que esteja relacionado.
Que bom, eu não sou a única. Respondi, encarando seu rosto com o mínimo de sobriedade que me restava.
Por que você odeia este feriado?
Eu odeio tudo que tenha a ver com o Natal. Nunca me simpatizei com o Papai Noel, nunca tive vontade de ser uma peça participante da ceia, muito menos de receber presentes de criança.
Então você também odeia a sua família… Eu o interrompi.
Mas só nessa época mesmo. Peguei meu copo e bebi o líquido que havia dentro até o fim. Ah, quase me esqueci. Sou Elena Gilbert. Satisfação em te conhecer. Estendi a mão direita.
Satisfação, porque o prazer vem logo depois… acertei? Ofereceu sua mão também, e apertamos nossos dedos gentilmente.Stefan Salvatore.
Então eu também não sou a única a saber dessa piada? Casa comigo, pelo amor de Deus.
Não, obrigado. Ainda quero terminar minha faculdade antes… Riu levemente, e eu o acompanhei.
Mas, então… Stefan. Por que você, assim como eu, não gosta do Natal?
Porque eu não tenho ninguém com quem passar o feriado em união. Todos os meus amigos estão com suas famílias, e meus parentes mais próximos moram em Washington, D.C.
Uau… é bem perto! O álcool claramente já me afetava naquela conversa. Só por isso?
Também criei uma antipatia por tudo que tenha a ver com esse feriado sem graça. Qual é, não precisa montar uma ceia do tamanho da Times Square só por ser um mero dia especial, certo?
Exatamente!
Certo, e depois dessa conversa toda, acabamos transando, é isso? Mandei na lata.
Stefan começou a rir loucamente depois do que eu dissera, e quase ficou sem ar de tanto gargalhar. Quando finalmente se controlou, tocou meu ombro levemente.
Não, Elena. Nunca faria algo assim com uma garota que eu nem conheço. Não sou um garanhão da vida.
Mas até que você não é feio… Comentei, corando logo em seguida. Por que eu estava dizendo aquilo mesmo, hein?
Mesmo assim, você estava bem alterada ontem. Não ia te forçar a isso.
Então por que eu tenho marcas de unha em meu pescoço? E você também?
Essa é a outra parte da longa história. Sorriu levemente, corando junto comigo.
É aqui, Stefan. Obrigada pela carona, mas eu sei andar e Tentei sair do carro, mas ele trancara as portas antes.
Nada disso, Elena. Você mal consegue enxergar um palmo na sua frente, eu te deixo na porta do seu apartamento.
Ele desceu do carro, abriu a porta ao meu lado e passou meu braço direito por seus ombros, para que eu me apoiasse nele.
Stefan, eu já disse…
Ei, nem me conteste. Você não consegue andar desse jeito.
Me solta logo, vai… Eu estava rindo, enquanto chegávamos na portaria. Então tá, né.
Não.
Vai…
Não.
Me larga, porra! E foi aí que eu comecei a forçar minhas unhas contra seu pescoço, a fim de que ele me largasse ali na portaria. Se você não me soltar, eu vou te machucar feio, Salvatore.
Não, senhora. Vou te soltar, mas cuidado… Liberou meu braço das suas costas, mas como eu não tinha controle do que estava fazendo, bati minhas próprias unhas postiças contra meu pescoço.
Fala sério, que tipo de débil mental faria uma coisa dessas consigo mesmo? Ah, é. Eu mesma. Bati minhas mãos em minha testa, rindo ironicamente em seguida.
Tenho de admitir, caí na risada quando você começou a criar um drama em torno disso.
Mas… se você ia só me deixar na porta, por que ainda está aqui?
Você não me deixou escolha, Elena. Passou a mão pelos cabelos castanhos. Gente, que cabelo mais fodástico… Espera, FOCO, Elena. FOCO. Estava tão bêbada que provavelmente causaria um incêndio por aqui e ainda se mataria. Eu precisava ficar, só para garantir que você não faria isso.
Fiquei sem ação por alguns instantes, para assimilar tudo. Eu ficara bêbada na virada do Natal; as marcas do pescoço foram feitas por mim mesma; quase matei um estudante de Medicina só porque ele queria me ajudar e ainda o forcei a ficar no meu apartamento.
Acho que eu só posso dizer… obrigada, Stefan.
Disponha. Bom, agora eu preciso ir. Tenho de tomar meu típico café na Starbucks. Já que estava com a camisa em mãos, Stefan apenas a vestiu e logo estava pronto para ir. Mas da próxima vez que ficar bêbada perto de mim, não tenta me matar, certo?
Dei uma breve risada.
Tudo bem, eu prometo que não cometerei nenhum crime contra você. Cocei a cabeça, enquanto o via sair de meu quarto.
Só que, uns cinco segundos depois, ele voltou sem mais nem menos.
Hey, já que sua família provavelmente não vai querer te ver tão cedo, e eu sou um largado nessa metrópole… quer ir tomar café comigo?
Abri um sorriso sincero. Até que não era uma má ideia conversar com o cara que ficou ao meu lado quando eu tentei matá-lo apenas por me ajudar.
Quero. Só vou trocar de roupa e já saio.
Tudo bem, eu te espero na sala… assassina.
Você não vai me chamar assim toda hora, não é? Levantei, expressando outro sorriso bobo nos lábios. Porra, Elena, qual é o seu problema?
Felizmente, voltei à realidade a tempo de ouvir a resposta de Stefan.

Desculpa. Mas eu vou, sim.

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